Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Manhãs I

Uma viagem a horas em que as pessoas ainda deviam estar a dormir, ainda para mais depois de ter adormecido já bem dentro da madrugada, num comboio a abarrotar, em que não se encontram lugares vagos com mais de dois espaços, o que significa que, mesmo "nestes comboios novos" vamos todos como sardinha enlatada. É o preço de depender dos transportes publicos para viajar.. Ahh que pena denão sairem os numerozitos da sorte , para permitir um maior desafogo a nivel financeiro, era um carrito próprio e "zagolina" pra gastar, isso é que era! Um luxo, lá está!

 

Bem, mas nos breves tempos em que isso não acontece, resta levar tudo com uma nota de boa disposição e pensar, vá, pelo menos o ar condicionado ainda funciona.

E tem um certo quê de prazer observar o ar dos mais oldies para a velocidade com que escrevo este post... É sempre bom...

 

O comboio vai cheio, mas continua a encher... E ainda faltam meia duzia de estações.... Vamos lá ver se isto se aguenta compostinho..hahaha

 

Estas palavras já pedem cama, que é onde devia estar esta gente, já que 50 por cento, pra mais, das pessoas que vejo à minha volta já estão bem pra lá da idade da reforma.. Era eu.. ele certinho ao fim do mês sem fazer nenhum, e ia pra um comboio atulhado ás 8 da manhã...

"É que é já a seguir"....

Era papinho pro ar e se temos que ir, bora de tarde, antes que se faça tarde...

Mas eu sou um puto, também, se calhar À medida que o tempo passa por nós nós deixamos de o sentir passar, e as horas confundem-se...

Quando se deve viver trabalha-se, quando se pode viver descansa-se, e quando queremos viver depois, já nem descansar sabemos, e é tarde...

 

Blharrgg que raio de pensamentos para tão cedo na matina... Bora é pôr um sonzinho brasileiro pra animar que daqui a bocado há IIA..

 

Epá mas será que publico isto?

Pronto.

 

Bom dia a quem andar por aí...

 

Abraço,

Miguel

Sentimento :: com sono
A ouvir :: Calcinha Preta - Você não vale nada
Rabisco da autoria de Melancholic Soul às 08:23
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Uma história inacabada - Parte 6

 6

 

Ele quase conseguira ouvir a respiração do estranho miúdo que tentara abrir a porta da sua casa.

Aquela casa.

A sua prisão.

O seu instinto dizia que ele devia abrir a porta, mas ele lutava contra isso. Batalhava-se a si próprio. Tinha criado um escudo à sua volta que ele próprio tinha dificuldades em remover. Eram anos de solidão e fuga. E, pelos vistos, tinha sido apanhado em pouco tempo. O próprio tempo parecia diferente, tudo parecia acontecer numa batida do seu coração. A sua mãe, desaparecida, viajou durante o sono, sem dor, sem luta, como se a sua última viagem fosse só mais um sonho. Ele a escavar uma cova que lhe custou o mesmo que abrir o alicerce para um bunker, cada vez que a enxada caía era parte de si que morria, que descia aquela terra dura, cada gota de suor uma lágrima, substituta das que nunca chorara e nunca desejara tanto chorar.

E agora, quando se preparava para desistir de tudo, aquele estranho virava tudo do avesso. Quem lhe deu o direito de se meter assim na sua rotina?

Quem o empossou a baralhar as suas perspectivas?

Ele só o vira de relance através das portadas.

Fechadas.

Como ele.

Talvez já estivessem entreabertas. Não é fácil lutar contra os nossos instintos.

A porta das traseiras. A faísca que lhe trouxe essa informação ao cérebro foi imponente. Ele já não se movia como antigamente. Era irónico que depois de toda uma vida a fugir, este capítulo se assemelhasse tanto a uma corrida…

Ele tinha a protecção da sua latada, que por estas horas devia projectar uma sombra negra, como a sua vida, talvez suficiente para manter afastado o intruso.

A cadência das suas passadas era ultrapassada pelo ribombar do seu coração. Ele corria determinado uma corrida que instintivamente não queria ganhar. Tinha noção no seu sub-consciente que a poucos metros de distância uma batalha parecida era travada.

Guerras internas que não admitem trégua.

Só vitória ou mais guerra…

 

Espero que estejam a gostar...

 

REAJAM!

Um abraço,

Miguel

Rabisco da autoria de Melancholic Soul às 01:12
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Delirios - 17_02_2010

 

As voltas que a vida dá

Nem sempre têm volta

O vento que sopra aquela notícia tão má

Empurra a vela que deixa a esperança à solta

 

Nós somos mais do que peças

Mas somos menos do que tudo

Procuramos o nosso encaixe

Desligamos de pressas

Aceleramos à espera que o ritmo baixe

No fundo sou um sortudo

Não tenho velocímetro, vou à deriva

Serás o meu leme?

Ou será mais do que tu que o meu infinito teme?

 

Há folhas que são só folhas

E há palavras que não podem ser escritas

Umas voam, outras são rasgadas

Outras há que parecem duras mas são tão bonitas...

 

Sobe e desce o peito enquanto dormes

Descanso, encosto, visão, perfeito

Respiras inadvertidamente todo o sentimento

Sentes adormecida todo o ar que te preenche,

Toda a sensação que inspiras

Toda a sensualidade que deixas fugir de ti

Sem ordem, sem limites, sem vidro de contenção

Ziguezagueante, pulsante, provocadora de paixão.

 

Um mais um

Dois

Nós?

 

Todo o mundo é uma bolha

Tu?

Tu és o sabão

Perante os meus olhos

Fazes com que a bolha brilhe em tons coloridos

 

Tiras e dás de novo instantes perdidos

E repetidos

E queridos

E perseguidos

E pedidos

Ou despedidos

Instantes

De mim

Assim...

Teu.

 

 

Sentimento :: Acorrentado à Liberdade
A ouvir :: Muse - New Born
Rabisco da autoria de Melancholic Soul às 18:50
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Sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Uma história por acabar... Parte 5

5

 

Ás vezes ainda se lembrava do acidente. As correntes obtusas da memória tomavam o controlo quando ele o perdia. E ele regressava atrás na linha temporal, precisamente ao ponto que queria apagar. O seu último contacto com o mundo. A conclusão do seu auto-encarceramento. Não fora ele que fizera o trovão.

Aquele miúdo...

Também não tinha culpa. Dizem que um relampago não cai duas vezes no mesmo sítio. Mas infelizmente a primeira pode ser suficiente. E o miúdo quase morria. Ele salvara-o, claro, que mais podia fazer? Mas fora crucificado, atacado, escarnecido. A cegueira do preconceito não deixava ver para além da primeira impressão...

Ele, como um fantasma, com um saco de pinhas na mão esquerda. Baixado sobre o miúdo com as roupas rasgadas e marcas de queimaduras.

A chuva a cair e a diluir qualquer compaixão em raiva.

Fora! Animal! Fantasma! Maldito! Fora!

 Nem a água da chuva que escorria em fluxo e refluxo na sua face fazia passar a ideia de que ele chorava.

Ele só dizia "o menino", "o menino".

E eles grunhiam, arfavam. Maldito!

Ele só sofria. O Menino...

Entrou em casa, naquela casa, para não tornar a ter contacto com outras pessoas excepto a sua mãe. O que ele não sabe é que o limite da crueldade das gentes estava para lá do que ele era capaz de imaginar... O menino sobreviveu, mas nunca se livrou de ser estigmatizado, e nunca se livrou da sua alcunha. Ficou para sempre "O Menino", mesmo pai era "O Menino". Só ele defendia o "Homem do Saco", logo, para todos os outros, só ele estava errado e, portanto, não era de confiança. Um instante. Um raio. Um acaso da Natureza pseudo-aleatória.

Duas vidas.

Votadas ao ostracismo.

Parcial.

E completo.

Dois fios da intricada e embricada teia do Destino.

Separados.

Em direcções opostas.

Perenemente entrelaçados.

Tentando inconscientemente encontrar-se.

Encontrando-se talvez só depois de desistirem...

Mas ninguém disse que seria fácil.

 

E pronto, mais um cheirinho... Gostei das reacções ao anterior, são o meu incentivo...

Venham mais..

Já sabem..

 

REAJAM!

 

Um abraço,

Miguel

 

Um abraço,

Miguel

Rabisco da autoria de Melancholic Soul às 17:22
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