Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Uma história inacabada - Parte 6

 6

 

Ele quase conseguira ouvir a respiração do estranho miúdo que tentara abrir a porta da sua casa.

Aquela casa.

A sua prisão.

O seu instinto dizia que ele devia abrir a porta, mas ele lutava contra isso. Batalhava-se a si próprio. Tinha criado um escudo à sua volta que ele próprio tinha dificuldades em remover. Eram anos de solidão e fuga. E, pelos vistos, tinha sido apanhado em pouco tempo. O próprio tempo parecia diferente, tudo parecia acontecer numa batida do seu coração. A sua mãe, desaparecida, viajou durante o sono, sem dor, sem luta, como se a sua última viagem fosse só mais um sonho. Ele a escavar uma cova que lhe custou o mesmo que abrir o alicerce para um bunker, cada vez que a enxada caía era parte de si que morria, que descia aquela terra dura, cada gota de suor uma lágrima, substituta das que nunca chorara e nunca desejara tanto chorar.

E agora, quando se preparava para desistir de tudo, aquele estranho virava tudo do avesso. Quem lhe deu o direito de se meter assim na sua rotina?

Quem o empossou a baralhar as suas perspectivas?

Ele só o vira de relance através das portadas.

Fechadas.

Como ele.

Talvez já estivessem entreabertas. Não é fácil lutar contra os nossos instintos.

A porta das traseiras. A faísca que lhe trouxe essa informação ao cérebro foi imponente. Ele já não se movia como antigamente. Era irónico que depois de toda uma vida a fugir, este capítulo se assemelhasse tanto a uma corrida…

Ele tinha a protecção da sua latada, que por estas horas devia projectar uma sombra negra, como a sua vida, talvez suficiente para manter afastado o intruso.

A cadência das suas passadas era ultrapassada pelo ribombar do seu coração. Ele corria determinado uma corrida que instintivamente não queria ganhar. Tinha noção no seu sub-consciente que a poucos metros de distância uma batalha parecida era travada.

Guerras internas que não admitem trégua.

Só vitória ou mais guerra…

 

Espero que estejam a gostar...

 

REAJAM!

Um abraço,

Miguel

Rabisco da autoria de Melancholic Soul às 01:12
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